A IA acelerou o Judiciário. E mais processos chegam à fase de cálculos
Com recorde de julgamentos e ferramentas de inteligência artificial nos tribunais, mais sentenças chegam à liquidação e à execução, as fases em que o cálculo técnico decide o valor.

O Judiciário brasileiro nunca julgou tanto. Em 2025 foram 44,7 milhões de julgamentos, recorde da série histórica, com crescimento acumulado de produtividade de 88,6% em 16 anos. Parte desse ritmo vem da tecnologia: processo eletrônico, automação e, cada vez mais, ferramentas de inteligência artificial.
A IA já está dentro dos tribunais
Um estudo do CNJ em parceria com o PNUD, publicado em 2025, registrou 178 iniciativas de IA ativas em tribunais e conselhos, e 45,8% dos tribunais relataram usar ferramentas de IA generativa na rotina, principalmente para gerar, melhorar e resumir textos. Alguns exemplos:
- Victoria, do TJRJ com o CNJ, automatiza etapas das execuções fiscais, como verificação de citação e busca de ativos.
- Elis, do TJPE, faz a triagem inicial das execuções fiscais e está disponível na plataforma Sinapses para outros tribunais.
- Apoia, do TRF2, integrada à Plataforma Digital do Poder Judiciário, apoia magistrados e servidores em tarefas de análise.
A Resolução CNJ 615/2025 define que a IA tem caráter auxiliar e veda decisão judicial automatizada sem supervisão humana.
Sentença mais rápida, cálculo mais cedo
Quando a fase de conhecimento anda mais depressa, mais processos chegam antes à liquidação e ao cumprimento de sentença. É ali que se transforma a condenação em número: correção monetária, juros, índices, períodos, compensações. O relatório de 2026 do CNJ mostra que a execução segue como a fase mais longa: no primeiro grau leva em média 4 anos e 11 meses até a sentença, contra 1 ano e 3 meses da fase de conhecimento, e tem taxa de congestionamento de 71%.
Esse gargalo é, em boa parte, um gargalo de cálculo. Divergência entre as contas das partes, dúvida sobre o critério da sentença, impugnações sucessivas: tudo isso pede um técnico capaz de apresentar um resultado claro e defensável.
O que muda para o perito
- Mais demanda por cálculos de liquidação, revisões contratuais, apuração de haveres e conferência de valores.
- Mais exigência de método: a IA ajuda a organizar documentos e acelerar tarefas, e o perito continua responsável por cada critério e cada número que assina.
- Vantagem para quem domina as ferramentas: o perito que usa IA com critério entrega mais rápido e com mais qualidade.
O uso de IA na perícia é justamente o tema da décima aula da Série Essencial do Clube do Perito.
Fontes
- Judit · Justiça em Números 2026: recorde de processos e produtividade
- Projuris · Justiça em Números 2026
- Justen, Pereira, Oliveira e Talamini · O uso da IA pelos tribunais brasileiros (fev/2026)
- Conjur · A inteligência artificial e a recuperação de crédito
- TJPE · Ferramenta Elis para execução fiscal
- TRF3 · Encontro IAJus 2026 e Resolução CNJ 615/2025
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