Tecnologia

A IA acelerou o Judiciário. E mais processos chegam à fase de cálculos

Com recorde de julgamentos e ferramentas de inteligência artificial nos tribunais, mais sentenças chegam à liquidação e à execução, as fases em que o cálculo técnico decide o valor.

Por André Marquart07/11/20266 min de leitura
IA, liquidação e cálculos periciais

O Judiciário brasileiro nunca julgou tanto. Em 2025 foram 44,7 milhões de julgamentos, recorde da série histórica, com crescimento acumulado de produtividade de 88,6% em 16 anos. Parte desse ritmo vem da tecnologia: processo eletrônico, automação e, cada vez mais, ferramentas de inteligência artificial.

A IA já está dentro dos tribunais

Um estudo do CNJ em parceria com o PNUD, publicado em 2025, registrou 178 iniciativas de IA ativas em tribunais e conselhos, e 45,8% dos tribunais relataram usar ferramentas de IA generativa na rotina, principalmente para gerar, melhorar e resumir textos. Alguns exemplos:

  • Victoria, do TJRJ com o CNJ, automatiza etapas das execuções fiscais, como verificação de citação e busca de ativos.
  • Elis, do TJPE, faz a triagem inicial das execuções fiscais e está disponível na plataforma Sinapses para outros tribunais.
  • Apoia, do TRF2, integrada à Plataforma Digital do Poder Judiciário, apoia magistrados e servidores em tarefas de análise.

A Resolução CNJ 615/2025 define que a IA tem caráter auxiliar e veda decisão judicial automatizada sem supervisão humana.

Sentença mais rápida, cálculo mais cedo

Quando a fase de conhecimento anda mais depressa, mais processos chegam antes à liquidação e ao cumprimento de sentença. É ali que se transforma a condenação em número: correção monetária, juros, índices, períodos, compensações. O relatório de 2026 do CNJ mostra que a execução segue como a fase mais longa: no primeiro grau leva em média 4 anos e 11 meses até a sentença, contra 1 ano e 3 meses da fase de conhecimento, e tem taxa de congestionamento de 71%.

Esse gargalo é, em boa parte, um gargalo de cálculo. Divergência entre as contas das partes, dúvida sobre o critério da sentença, impugnações sucessivas: tudo isso pede um técnico capaz de apresentar um resultado claro e defensável.

O que muda para o perito

  • Mais demanda por cálculos de liquidação, revisões contratuais, apuração de haveres e conferência de valores.
  • Mais exigência de método: a IA ajuda a organizar documentos e acelerar tarefas, e o perito continua responsável por cada critério e cada número que assina.
  • Vantagem para quem domina as ferramentas: o perito que usa IA com critério entrega mais rápido e com mais qualidade.

O uso de IA na perícia é justamente o tema da décima aula da Série Essencial do Clube do Perito.

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